sábado, 30 de julho de 2016

Relatos da minha Própria Libertação Pessoal

Nossa quanto tempo que eu não escrevia nesse espaço. A paranoia de produzir música atras de musica e de "ser a melhor" nisso me consumiu a um único tipo de composição e os textos foram deixados para trás.

Escrever textos, além de rimas, faz parte de mim também. Eu que não conseguia visualizar a minha real capacidade pra fazer absolutamente tudo e qualquer coisa. Parece até que sempre foi assim...

Talvez minha criação seja um fator importante pra isso pois foi reprobatória em vários pontos: pelo fato da minha sexualidade, genética, estética, e meus comportamentos. Aliado a tudo que é esperado do sistema pra que você não falhe para ser algo que você não é, apenas para seguirmos padrões que distorcem nossa realidade, tudo como uma forma de controle do nosso corpomente.

Eu sempre soube que tinha algo de muito errado nisso tudo, o RAP me trouxe a confirmação e o que eu mais quis a partir desse conhecimento adquirido era libertar as pessoas! Seria uma pena se não desse pra fazer isso sem libertar a si mesma primeiro.



Quase que inconscientemente, nessas de me libertar de tudo que me prende eu trilhei uma jornada mundo afora e universo adentro. E eu me perdi em um caminho meio tortuoso dentro de mim, cheio de buracos e valas, fora os muros gigantes que tive que escalar. Só que de escalar muros altos nunca fui forte mesmo e eu sempre me esborracho no chão (confesso, não tenho muito senso de espaço).

Numa briga constante entre a minha alma e meu ego e enfraquecida por diversas situações que a vida nos dá, eu só me percebi caindo lá do alto do muro em meio a uma crise de "autoódio" querendo me destruir, me debatendo contra o guarda roupa. Peço perdão às pessoas que me perguntaram o que era o hematoma gigante no meu antebraço direito e eu vergonhosamente menti dizendo que eu cai e "haha nossa como eu sou estabanada [insira um sorriso amarelo aqui]". Mas a realidade é essa ai e ela me fez perceber duramente o buraco no qual eu estava entrando, como se a queda não bastasse.

Sabe, uma coisa que eu acredito e eu posso estar errada, é que quando você se coloca em um buraco ninguém mais pode te tirar de lá ao não ser propriamente você. Não adianta analista, psicologo, terapeuta se não houver apoio mutuo e vontade de mudança. É óbvio que todo apoio é bem vindo nessa hora e eu tive um apoio gigantesco da minha companheira, que me mostrou para que um relacionamento serve, pra ascensão do ser em conjunto.

O que eu não tava contando é que eu não fazia a menor ideia de como sair do meu buraco particular no qual eu tava me metendo. A resposta veio por mim mesma e como num fio de sobriedade transcendental eu me conectei ao universo novamente, com um som jamaicano dos anos 60 reverberando em tamanha qualidade de equalização que eu podia sentir cada instrumento sendo tocado e gravado com tudo isso sendo transportado para um pequeno LP na pickup do DJ.

Enfim, as cordas náuticas gigantescas que me prendiam se desfizeram como laços de cetim num presente bonito. E o muro assumiu ser apenas um degrau da escadaria. A partir dali eu me reconheci como sendo única. Me desprendendo de todos os julgamentos que tentavam me subjulgar e que por puro preconceito me acorrentavam. No final de tudo, pareceu ser tão simples e eu sinto ter todas as respostas para absolutamente tudo.

Mais do que isso, eu recuperei em mim algo que não via faz tempo, meu intuito questionador, criativo, minha auto confiança e força de vontade pra fazer tudo e qualquer coisa que eu quiser. Sinto que desbloqueei vários níveis de percepção e minha sensibilidade aflorou de forma que conseguisse sentir as pessoas muito além do que elas aparentam ser, pois é assim que quero ser vista também e tenho muito de mim pra mostrar, tudo isso é realmente maravilhoso.

Tanto, que até a escrever eu voltei! Cê ve?

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Velando a Falsa Esperança.

Aqui estou eu novamente escrevendo sobre enterros. Não me leve a mal, escrevo por necessidade. Vai que o coração compreende essa linguagem, sempre da certo.


Matar é crime, é pecado também. Mas quantas coisas não matamos no nosso dia a dia? Nossos sonhos, esperanças, desejos, anseios... parece tão comum e é um crime contra si mesmo. 
Mas as vezes é um crime necessário, se não isso te mata. De uma maneira ou de outra você sempre sai perdendo. Mas sempre sai ganhando também.

A gente que acredita em algo, transforma todo tipo de ilusão em ideia fixa. Crê naquilo tão fortemente que sente a possibilidade de que realmente pode acontecer. Mas tudo não passa de uma imaginação fértil, um desejo incontrolável e uma mente fraca.

Nem tudo é assim. Mas a gente precisa reconhecer o que é sonho e o que é ilusão. Não lembra do conto da caverna, do Platão? É essa parada. Só que relacionado ao ser, estou voltada apenas para dentro de mim visualizando as imagens que o ego projeta na parede da caverna e a realidade se apresentando muito diferente disso tudo.

A realidade é uma porrada bem dada no meio do eixo. Quebra todas as suposições de uma visão deturpada. Deixa a gente deslocada. Como pode ser de um jeito aqui dentro e lá fora de outro totalmente contrário?

É que aqui dentro é apenas o que a gente precisa que aconteça, parece tão bom que é melhor viver apenas o resquício da esperança do que enxergar o que realmente acontece. Mas é tão raso.

É isso que chamamos de Platônico. Porque de fato, não é possível. Não é tangível. É apenas algo que imaginamos e não pode acontecer. É tudo relacionado ao desejo de que tudo funcione da sua maneira. Ego.

Conhecimento é a única chave que abre a porta pra fora da caverna e enterra tudo que foi construído a base de ilusão e projeção. Coloca terra em tudo que aniquila o coração, mesmo que isso aniquile a si próprio também.

Sentir o coração batendo latejando vida é incrível, mas não pode ser condicionado apenas à cenas imaginárias. O coração precisa viver a realidade, mesmo que ela seja monótona, chata, bem diferente dos sonhos doces e coloridos que alimentam se de falsas esperanças.

Impossível é uma palavra muito forte mas reconhecer sua existência é necessário. A nível de sobrevivência e de consciência. Permanecer no chão é a única opção pra quem não pode voar.

Mas se você acha que consegue, Boa sorte. Eu só prefiro ter de fazer escolhas racionais e plausíveis. Injetar ânimo, energia e vontade naquilo que é real parece bem melhor do que naquilo que nunca vai acontecer. 

É isso.

sábado, 6 de dezembro de 2014

Por Que Precisamos de Mais Mulheres no Rap?

Às vezes eu me pego pensando: "como é que vamos cobrar espaço para as minas no RAP nacional e no Hip Hop se ainda existem tantas minas escondidas dentro de casa sem coragem suficiente para se expor na cena como atuantes?" Essa é uma questão que me incomoda muito... Sabemos o quanto a cena sempre foi muito masculina, um ambiente com certeza hostil para muitas mulheres, aonde não nos sentimos representadas, e o pior, muitas vezes oprimidas por músicas e atitudes de maneira generalizada. Sabemos também que esse cenário vem mudando de maneira sutil, mas ainda assim, existem muitos impasses e um longo caminho de luta pela frente.
Entretanto, é importante reconhecer que nosso número de gênero e identificação no RAP é muito restrito, aonde quase sempre somos colocadas como um segmento, como uma vertente do RAP nacional. Mas isso não é o correto, pois o "RAP feminino" não é um estilo dentro do RAP, como o BoomBap ou o Gangsta, mas sim uma classe escondida e silenciada de várias maneiras.
Talvez se você mora em São Paulo ou Rio de Janeiro, já pode perceber muitas mudanças com o cenário feminino dentro do movimento em relação à 10 anos atrás, mas se você for de estados e cidades aonde o movimento é menor, aposto alto que ainda percebe a falta das mulheres atuando no Hip Hop.
Esse desfalque é causado pelo próprio patriarcado, que desde sempre, exclui e silencia mulheres no Brasil e no mundo, reservando certos espaços e ações somente aos homens cis, e porque não citar também, héteros. As consequências do patriarcado se entrelaçam com a história do Hip Hop no Brasil, um movimento que nasceu mais como cultura periférica do que como movimento negro, em relação aos Estados Unidos. Com o passar dos anos o movimento foi se incorporando (através do RAP gangsta) à luta de classes e militância negra. Algumas poucas presenças femininas gritavam pelo direito das mulheres, mas como minoria, raramente eram ouvidas pelo grande público com algumas raríssimas exceções.
No inicio da atividade feminina no movimento, nem sequer haviam eventos e festivais exclusivos de RAP Feminino. Com o tempo e aumento da presença da mulher no cenário, essa postura irredutível foi afrouxando. Depois da atuação marcante de Dina Di nos anos 90, parece que foi necessário afirmar que a Mulher cantando RAP é importante.
E é importante! É indispensável a presença feminina dentro do RAP! Pois como um movimento que tem atrelado à sua essência a luta por justiça, igualdade e liberdade, é essencial que essa luta reflita nos próprios espaços aonde o movimento habita!
É importante porque a mulher possui outra noção de mundo do que o homem, justamente pela opressão que sofre. Dar voz à mulher na cena, e claro, proporcionar um ambiente igualitário para que a mulher participe e o ocupe é permitir que sua visão de mundo seja exposta. Sendo assim, fica muito mais fácil de entender o mundo e a sociedade ao nosso redor, não seria esse um dos objetivos?
Talvez se parássemos para pensar, a mudança de algumas pequenas atitudes já seriam o suficiente para permitir maior presença das mulheres nesses espaços, como por exemplo, parar de tratar mulher como objeto no rolê, parar de censurar a ideia de alguma mina quando começa a falar, parar de olhar com desdém quando alguma mulher chega para somar (sendo apresentações ou apenas como espectadora), parar com atitudes esnobes ou soberbas e o mais importante: respeitar acima de tudo, de igual para igual.
Ok, talvez seja pedir demais, talvez isso só mude com o tempo. Eu entendo que é muito difícil a compreensão de que existe uma hierarquia e uma relação de poder que precisa ser quebrada. Mas para que isso acabe de várias formas é preciso enfrentar o silenciamento, quase que como boicote à ação feminina dentro do movimento.
Mulher, sua presença é muito importante para o Hip Hop! Não se esconda mais, não tenha medo de falar, de gritar ou de se expor! Precisamos de você junto conosco! Somente dessa maneira poderemos mostrar ao mundo como somos importantes em vários quesitos e não inferiores como o pressuposto. Somente dessa maneira, podemos nos impostar diante de ações opressoras e até reagir em maior número, quando casos como assédio e abuso acontecerem (e acontecem!).
Eu sou a favor da mulher no Rap, eu sou a favor da mulher no Hip Hop, pois todo lugar que a mulher ocupa se transforma positivamente! Com mais mulheres no hip hop temos mais crianças nos eventos, mais harmonia nas falas, maior compreensão e empatia pelas pessoas e tornamos um ambiente aonde o respeito mútuo livre de hierarquias prevalece! Não seria ótimo se todo rolê fosse assim?
Mulher, vem pro Hip Hop! Esse é meu apelo!

Evento com a Frente Nacional de Mulheres no Hip Hop - São José dos Campos (2014)

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Existe Machismo no RAP?

Essa é uma questão que vira e mexe eu me deparo na vida. É uma questão que eu estou acostumada a responder porque sempre tem uma indagação dessas vinda de um homem. Isso sempre gera um debate, sempre gera um debate aonde dizem que as mulheres no RAP nacional são segregacionistas e vitimistas. Hoje eu vi essa pergunta como uma enquete e tive que me manisfestar diante de opiniões vindas de homens, e mulheres que não cantam RAP, portanto não vivem isso.

Então vamos "deixar" a mulher que canta RAP e sente isso na pele responder: QUEM ME DERA, se o machismo no RAP fosse apenas na requisição de espaços. QUEM ME DERA, se o machismo no rap fosse apenas a questão da protagonização da mulher e a representatividade que é exercida na cena. QUEM ME DERA, se de 10 discos que eu escuto, 5 não tivessem conceitos machistas. Se as letras de RAP pregassem igualdade de direitos e não oprimissem a mim e minhas irmãs.

Mas, vamos lá... o que se alega pra dizer que não tem machismo na cena:
1 - que não tem muita mulher no rap
2 - que tem espaço pra todos, mas todos precisam ser bons para ter esse espaço
3 - que a mulher no RAP é vitimista quando grita por direitos

Então eu vou refutar cada uma dessas afirmações com conceitos históricos da cena nacional feminina:
1 - Tem mulher no RAP, mas não tem muitas protagonistas. Por que? Como a cena do RAP e Hip Hop no inicio foi exclusivamente masculina, as mulheres não se sentiam representadas em nada. As mulheres que existiam no cenário eram esposas e namoradas dos homens que protagonizavam a cena. As poucas guerreiras que deram a cara a tapa no começo de tudo em carreira solo, entre elas Sharylaine, Rose MC, tiveram que ser aceitas se masculinizando. Pois não havia nenhuma representatividade.... como eu, sendo mulher, vou me sentir representada quando as letras de RAP me chamam de vadia pelas minhas roupas, pelo meu comportamento sexual que só cabe à mim? Como eu vou me sentir retratada em uma letra, quando a maioria das letras que se referem à mulher no RAP escritas por homens não chegam à um terço do que realmente é ser mulher? A falta de representatividade exclui as mulheres da cena. Quanto mais mulheres cantarem RAP, mais mulheres se sentirão representadas e dessa forma existirão mais mulheres na cena. Isso tá mudando, mas ainda é um longo caminho a se percorrer.

2- Perai, se todos tem espaço só falta sermos bons, qual é o critério que define isso? Sabemos que já temos pouquíssimo espaço no RAP nacional, que o que temos é feito por nós mesmos, mas nem de longe esse cenário é igualitário... Observem as ultimas festas de RAP, olhe flyer por flyer, quantas mulheres estão presentes nas atrações principais? Poucas? Nenhuma? Temos mulheres talentosíssimas no cenário, quando é que elas são lembradas? É só olhar os RAP BOX. Quantas mulheres já cantaram no RAP BOX? Quantas mulheres participaram do Projeto TALVEZ? Quantas foram lembradas em grandes festivais? A cena do RAP ainda é masculina. Ainda vemos mais homens presentes que mulheres, ainda temos mais atrações masculinas que femininas... A unica mulher que colocaram naquele documentário "O RAP pelo RAP" teve apenas 15 segundos de fala. QUINZE SEGUNDOS? É isso que a mulher MC tem de direito pra escrever a história do RAP? Não falta só espaço, falta a presença feminina em todos esses espaços, falta visibilidade pra quem tá começando agora, pra todo mundo ouvir e ver se gosta ou não... É assim que descobrimos grandes talentos... Mas se não deixam ninguém chegar lá, como vamos descobrir novos talentos? Ou seja, a falta de mulheres na cena é definitivamente excludente e limitada.

3- Se todas as vezes que a mulher gritar por direitos e se unir em prol da visibilidade que precisa ela for vitimista, então vamo parar... Querer silenciar nossa voz é um ato extremamente machista. A cada 15 segundos uma mulher sofre violência, 520 mil mulheres sofrem estupro ou a tentativa do mesmo por ano só no brasil. Todos os dias morrem mulheres, negras, pobres, em sua maioria, sendo violentadas e agredidas pelos seus parceiros. Isso é machismo, não tem outra porra de palavra! Toda vez que alguém coloca um mina pra baixo numa letra, é machismo, do nível mais simples ao mais bruto. A partir do momento que um infeliz chama uma mina de vadia na letra, é machismo. A partir do momento que um outro infeliz que canta RAP incentiva o estupro coletivo de mulheres, é machismo. Quando a mulher é colocada como um adorno ou objeto nas letras ela sofre opressão, isso é machismo. Todas as vezes que uma mulher se SENTIR oprimida, isso é machismo. Ninguém pode sentir isso por essa mulher, eu já senti isso na pele, as mulheres que cantam rap ao meu redor já sentiram isso na pele. Leia o livro Perifeminas I e o volume 2, ambos editados pela Frente Nacional Mulheres no Hip Hop, leia e vai entender o que todas essas mulheres carregam na pele e na alma. Mulheres que largaram tudo pelo RAP, mulheres que foram agredidas, violentadas, que pararam de cantar, de dançar, tocar e pintar pra viver com os filhos, para sustentar um lar. Observe ao nosso redor, somos um reflexo da sociedade, mas o RAP como movimento não deve se limitar a ser um reflexo da sociedade podre que é, e sim temos que transformar nossos eixos para ai sim, poder transformar a sociedade! Existe machismo no RAP sim, e isso não é só questão de opinião ou ponto de vista, isso é real!


quinta-feira, 19 de junho de 2014

Lavo Minhas Mãos

Lavo minhas mãos
Na toneira da decepção
Encanada pelo arrependimento
Na água da frustração
Sem filtro, pois é pura
Água que cai solene
Na pia da desesperança
No ralo do esquecimento
Aonde escorrem as mágoas
Sem mais nenhuma chance
De retornar à superfície.
Lavar as mãos
É o ato simbólico
De desistir da sujeira
Que a alma permite carregar.


quinta-feira, 29 de maio de 2014

Pelo amor.

O amor foi banalizado. Vivemos em uma era aonde falar de amor e cantar sobre amor tem sido comum. É mais um jeito de atingir a massa. Vejo muitos falando de amor e se apropriando do amor mas que não o praticam de fato. Esse talvez seja o principal erro da sociedade moderna: o amor não-praticante.



Isso acontece muito porque estão sempre confundindo amor com paixão. São sentimentos próximos mas não são os mesmos. Paixão é loucura, amor é resplendor. Não é necessário um para chegar ao outro. Afinal de contas, quem foi que te disse que para amar a gente precisa se apaixonar?

Infelizmente, alguém delimitou um conceito invisível na mente de cada ser humano de que o amor é um produto gerado em consequência de afeto e admiração. Mas precisa ser assim? Por que não podemos acreditar que o amor puro em plena forma abstrata e intangível é a melhor maneira de conexão entre os seres humanos e tudo o que os cercam? Por  que o ato de amar significa tanto ao ponto de nos podarmos? 



Estamos sempre acreditando que amar trás uma responsabilidade gigante, e que no ato de amar estamos nos doando mais do que deveríamos. E amor se trata disso mesmo, de se doar, de deixar tudo de você em cada pedaço daquilo que se dedica, de se preocupar, de cuidar e tratar. Daí acabamos nos responsabilizando por aquilo que amamos. E qual o problema?

E se amássemos sem limites? E se amássemos até quem não merece? E se olhássemos para todos que andam nas ruas com ações pré-programadas de ir e vir sem pestanejar e simplesmente amássemos? Por que não podemos nos doar e nos preocupar e cuidar de quem sequer conhecemos? Eu não sei, mas tenho a nítida impressão de que se começássemos a colocar amor em cada segundo de nossas vidas e para tudo ao nosso redor, tudo seria muito melhor!



Porque com amor, nada se perde, só se ganha. É o único sentimento que podemos depositar em tudo e em todos sem perder nada de nós, pelo contrário, só se ganha. E parece loucura que eu fale disso pois guardo ressentimento de algumas pessoas, pois elas plantaram ódio sobre minha pessoa e não consigo enxergá-las com compaixão. É... ninguém disse que deve ser fácil.

Mas se esse não for um caminho pelo qual devo escolher seguir, qual outro seria? Não vejo vantagem alguma em qualquer outra forma de relação humana em que acrescente ao espírito e fortaleça de fato a corrente em que vivemos. Quero dizer, estamos todos interligados de alguma maneira, não é mesmo? Fazemos parte do mesmo plano, como podemos nos matar sem questionar isso?



Declaro aqui minha total entrega a nova vida, a um novo plano, à total forma de amor que nos deve ser concedida. Se somos capazes de fabricar um sentimento tão pleno como esse, que pratiquemos sua criação e exerçamos sua real recompensa: PAZ!

Mais paz, pelo amor.


terça-feira, 13 de maio de 2014

Esperança Enterrada.

O mundo ao meu redor correspondia à cinzas, pontas, RAP, poesias não recitadas e odores marcados. Eu estava caminhando em uma direção completamente ilusória, como num campo minado com piso de ardósia. Brilhante, mas totalmente falso, a ponto de explodir e acabar com tudo aquilo que tenho de mais precioso. Eu simplesmente falhei em alguns pontos, me deixei levar pelas emoções. Há uma fresta na janela mas não há luz, você fica esperando que entre luz pela fresta da janela e não existe essa possibilidade pois a janela está tampada com tijolos do outro lado. Não existe possibilidade nenhuma de ver luz então, e aceitar isso me matou um pouco. Me matou um pouco pois sou jovem, e aceitar minha condição me tornou um pouco mais velha. Envelhecer mata.


De ontem para hoje envelheci uns 10 anos. Nem as conversas de Whatsapp me interessam mais. A melhor coisa para fazer hoje é trabalhar, ler um livro, arrumar a casa, fazer o jantar. Eu quero acreditar muito que tenha enterrado tudo que senti e tudo que esperei. Meus finais de semana têm sido um pouco agitados e eu quero que continuem assim, mas hoje, hoje eu quero esquecer todas as imagens que constroem um acontecimento impossível.


Eu realmente quero acreditar que foi parte de mais um devaneio e que a presença da luz tocando meu rosto, aquecendo minha pele, é totalmente controversa. Mesmo que tirem os tijolos que cobrem as janelas, ainda restará um breu só, pois aqui é sempre noite.
E enquanto eu anoiteço, vivo cada estrela que me acompanha, eu tenho que ter certeza, tenho que saber, que não dá mais para investir em ilusão. Eu não posso culpar ninguém... a unica que cultivou essa esperança sem nexo algum, fui eu.


Estamos sempre com expectativas do externo. Sempre esperando algo dos outros. Sempre confiando em alguém, sempre nos expondo e esperando que tudo dê certo. Talvez se fecharmos os olhos para fora e os abrirmos para dentro, veremos que não precisamos esperar dos outros o que temos aqui dentro. E que não existe ação externa, apenas o que parte da gente e o que nos torna parte do todo. Somos máquinas de transformação, uns com filtro, outros sem. E nessa busca por autocontrole, quem sabe, controlemos tudo ao nosso redor. Sabe, parte da gente. Preciso realmente por isso em prática, e enterrar toda ilusão que me foi rendida. Já enterrei sentimentos outras vezes, mortos... dessa vez é diferente.



Enterrar um sentimento vivo é cruel, mas necessário. Eu preciso entender isso. Nós sempre nos destruímos um pouco em cada processo desse. Faz parte, é natural. Eu só não posso me entregar e cair junto na cova, mas tenho certeza que isso não será um problema. O único problema vai ser continuar alimentando isso dentro de mim. E não vou mais.

Obs¹.: Pelo que podem perceber fiquei muito tempo sem postar, tudo estava indo perfeitamente bem.
Obs².: Não desperte nenhum sentimento forte demais em um poeta. Minha dica.

terça-feira, 4 de março de 2014

Os Seres da Minha Mente

Isso daria um filme: A Menina Que Criava Monstros na Própria Mente.
Eu acho que se fosse produzido em Hollywood, teria um bom nível de bilheteria.
Mas voltando a realidade, não tenho 5 estrelas e nem set de filmagem, meu roteiro é temporário. Minhas crises não são existenciais, o figurino é o de sempre. E isso não vai ter auditório, muito menos um Oscar.
O fato é que, todo e qualquer sentimento é como um ser vivo dentro de você; Você decide se vai cuidar dele, alimentá-lo ou simplesmente deixa-lo morrer.
Alguns sentimentos são bons e alimentá-los fará com eles mesmos se doutrinem para acabar com sentimentos que podem ser prejudiciais.
Aqui, perdi o cardápio e a alimentação regrada de uns sentimentos e os alimentei demais, o resultado é catastrófico, eles viraram monstros devoradores de alma.
Não saber controlar isso através do senso crítico, os torna ainda maiores.


E ai? O que você tem alimentado dentro de você? Seus sonhos, seus medos, suas frustrações ou seus devaneios? O que você tem adubado pra florescer? Coisas boas ou coisas ruins? Eu não vejo nada disso em mim, minha horta é constantemente vigiada na minha estufa particular. Cultivo dentro de mim tudo aquilo que me completa e se isso tudo crescer sob mim e me devorar, eu vou saber desde o inicio que fui eu, a unica causadora do destino desenfreado de minhas crias. Eu. A responsável 100% dos meus frutos e de tudo aquilo que devo colher.
Se crio monstros ou flores, sim, só eu sei que tenho que cortar o mal pela raiz.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Uma carta para mim mesma 10 anos atrás

Copiei memo do Hypeness, que ideia foda.

Oi Larissa... Sei que há uns 10 anos atrás você decidiu escrever uma carta para você mesma do futuro. Pois é, eu recebi essa carta inúmeras vezes e a gente descobriu juntas que é possível viajar no tempo. Incrível né? Acho que você ai, no seu tempo, até uns 15 anos vai ser muito mais inteligente do que eu aqui no meu tempo... é difícil ser criativa com tantas responsabilidades. Mesmo assim muita coisa vai acontecer. Eu queria te agradecer porque sua carta me deu sustentação em momentos difíceis e de certa forma me ajudou a construir nosso caminho.
Olha, se eu pudesse te dar alguns conselhos... cara... acho que muita coisa mudaria, mas por aqui, gosto da vida que levo...
Então apenas vou te dizer que você tem que continuar estudando. Mantenha o foco nisso, certo? Apesar de milhões de lutas que você vai ter que encarar nessa guerra não pare de sonhar. É foda. Nessa época que você vive seus sonhos são diferente dos meus agora. 
E se eu puder te adiantar alguma coisa sobre hoje eu vou te dizer que eu já casei e tenho uma casa muito legal, cheia de coisas do Batman! Pois é, a gente começou a namorar um cara com 15 anos, e acredite, ele é o amor da nossa vida.
Esqueça esses babacas que você é perdidamente apaixonada na escola, eles nunca ligaram pra você. Menina, você NÃO É GORDA, tira isso da sua cabeça. Também NÃO É FEIA, de jeito nenhum, nunca foi, você é linda. Quando crescer e ficar na minha idade vai ser muito mais difícil colocar isso na nossa cabeça, então aproveite agora. Use shorts curto sim, largue esses moletom e beije mais gente na boca porque você é linda o suficiente pra fazer mais essas paradas, mas pare de comer tanta besteira, tente fazer mais exercícios.
Não se entretenha tanto com seriados, escute mais música... sei lá, vai viver mais, fazer mais amigos e sair toda sexta feira... ok... isso você vai fazer bastante.
Não se aborreça tanto com sua mãe, eu sei que é difícil mas não é impossível... tenha mais paciência. Não vou contar o que pode acontecer com sua família daqui pra frente, mas você tem que ser forte, essas coisas acontecem.
Leia mais livros. Eles são muito importantes. Ah, e compre mais livros também, nossa estante aqui do futuro está muito vazia.
Continue com o RAP, continue com seus sonhos, continue fazendo arte, e nunca se esqueça do que você é, do que nós somos.
Uma ultima dica: viaje mais... em todos os sentidos.

E eu escrevo o mesmo que você escreveu pra mim há 10 anos atrás: Nunca Desista.

Larissa
01/02/2014


domingo, 19 de janeiro de 2014

Pro Rap? Estamos todos Perdidos

Eu tomei um gole da vitamina que pedi para completar o almoço, levantei o copo - naturalmente - com a mão direita, aonde sobressai a tatuagem do mindinho com o símbolo do Wu-Tang Clan. Tomei também um susto, com um cara me questionando se era realmente o logo do Wu-Tang. Respondi afirmativamente e já me preparei para a próxima pergunta padrão: "Qual é o seu favorito do grupo?". Eu sempre respondo ODB, mas dessa vez respondi o meu segundo favorito: Method Man.

Depois de um rápido questionário sobre um dos melhores grupos de RAP de todos os tempos, como se fosse um tipo de teste que uma garota branca tenha que passar por ter esse tipo de tatuagem no corpo, eu me levantei do balcão da lanchonete na Avenida Paulista e fui para o escritório, do outro lado da rua.
Nesse breve caminho me perguntei: Por que eu sempre estou sendo posta a prova? Para provar que não sou "modinha"? Sério? Essa seria a real preocupação do cenário do RAP? Que não tenham mais pessoas envolvidas no movimento que não sejam reais adoradores e conhecedores de tudo que engloba o Hip Hop? Suspirei e dei graças pelo cara que me abordou no balcão da lanchonete não ter visto as frases tatuadas no meu peito "O Rap é Compromisso" e "Respeito é pra Quem Tem". Iria me atrasar do horário de almoço se tivesse que responder um questionário teste sobre o Sabotage também.
Gosto de RAP desde os 8 anos. Rimo improvisado e faço poesia desde os 10. Eu vivo o RAP desde os 12. Eu, gozando de minhas faculdades mentais aos 21 anos, estou absolutamente convencida que eu não preciso provar porra nenhuma para ninguém. São quase 10 anos de caminhada.
E eu não sei se eu passo muito tempo nas redes sociais, porque trabalho com isso, mas vejo muitas coisas que os próprios MCs falam que simplesmente chego a ficar extremamente desanimada. E demorei para chegar a uma conclusão um tanto quanto absurda, mas não é: estamos todos perdidos.
Sim. Perdidos. Depois de 40 anos de RAP nacional, com pelo menos uns 30 aonde 90% do contexto das músicas se tratam de política e sociologia, os últimos 10 anos trouxeram flechas que vieram em todas as direções apontando para todos os lados qual é o melhor caminho a se seguir. E realmente, não sabemos se queremos justiça, igualdade e liberdade ou se queremos mesmo é uma BMW, um Bentley e uma Porshe.
É engraçado como um movimento que sempre pendeu para um lado mais libertário da coisa toda, apareça tão conservador diante de tantos impasses. A gente não sabe se anda ou se corre. Se fica com o capitalismo mesmo porque é o que 'ta teno' ou se revolucionamos e instalamos uma Anarquia. E sempre tem um ou outro para ditar o que é certo e o que é errado, o que é bom e o que é ruim. Afinal de contas, todos os caras que berram aos quatro cantos a frase: "Ouçam meus Sons" são os mesmo caras que são peritos em dizer o que você pode ou não pode ouvir.
Acabamos por fim, caminhando separados, para qualquer lado que mais nos apetecer. Nos desvencilhamos como movimento e acabamos como lobos solitários, sem matilha. E aos que perguntarem: o Hip Hop não morreu, ele só está mais disperso em seu próprio conflito interno e em busca de seu caminho, que eu creio ser, tornar-se música de fato, arte de fato, e assim, se restabelecer como movimento de fato. E não existem leis que podem trilhar esse caminho, porque ele é feito de raízes.


quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Rolê

"Não interrompa meu Beef à Rolet
com seu Rolezinho!!!"
Disse, cuspindo as sobras
Do prato chique do
Restaurante caro
de um shopping de São Paulo

"Não venha até aqui
Na minha bolha cibernética
Que protege da moral
e Da falta de ética
Que tenho com você
E sua capa esquelética"

Não arranque de mim
Minha máscara que suspeito
Segurar minhas falhas
E todos os meus preconceitos
Porque não aceito
Revelar-me dessa forma

Não aceito! Não admito!
Omito e minto se disserem
Mas não concordo quando veio
Com seus mitos e ritos
Porque tudo isto
Fere meus devaneios

Atinge-me com um tapa
Me abre os olhos
E me fala: Há mais a se ver
E me diz: Onde estava!
Me mostra meus miolos!
Desaba com tudo que acreditava

Falácia!!! Aonde estão
as linhas que nos cercam?
A linha tênue que te esconde?
Que permite que eu seja
Ou que eu tente ser
Sem perceber seu "bonde".

Sem ver o outro lado
Sem sentir remorso ou coisa parecida
Como vou levar a vida,
Sabendo que sou a causa,
Os motivos para a ferida
Que vocês me causam?

Como vou ver televisão?
Assistir meu noticiário diário
Se em cada canto aonde estão
Plantam em mim ódio, por saber
Por conhecer seu cenário
De resistirem a esse trato

Saiam do meu palácio pós moderno
Do meu templo de culto ao consumo
Do meu magistério, QUE INFERNO!
Voltem para seus túmulos
Chamem os soldados do império!
Que nos protegem mudos

Eu quero paz!
Para poder ter meu único refugio
Voltem para seus campos de extermínio
Que só assim eu consigo
Adormecer em sono profundo
E mostrar que eu não ligo

Deixem tudo como estava"
Repetia sem parar...
Sem parar, e parado estava
Sentado em sua certeza sem receio
Sem esperar a revolta
Que se volta em cada passeio!


quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Desculpa

A culpa é de quem rega.

A culpa que eu carrego
Me carrega, me encarrega

E se nosso amor morrer,
A culpa é de quem regra.


sábado, 21 de setembro de 2013

O melhor Som do Mundo

Mozart, Madlib
Beethoven e Grand master flash
Tchaikovsky, Verdi e Trackmaster
Johannes Brahms e Diamond D
Chopin, Hi Tek e J Dilla
Bach, Vivaldi, RZA
CIA, Kl Jay, Franz Schubert
Said, Luiz Café e Dr Dre
Inventaram melodias e beats
Muito boas pra audição
Mas nenhuma dessas batidas
é melhor que as do seu coração


O Melhor Som do Mundo ♥

domingo, 14 de julho de 2013

Organizando Pensamentos

Estava tudo jogado pelos cantos da casa. Tinha tanta bagunça que eu mal enxergava a janela. Estava com o foco voltado para outros planos, outras ações. E não era aqui dentro. Lá fora as coisas impressionavam mais...  E ainda impressionam.
Eu tropecei acho que foi no sofá, e levei o maior tombo. Devo ter batido a cabeça em alguma coisa parecida com a mesinha de centro. Isso me fez despertar. E como!
Me encontrei em meio a sujeira. Olhei em volta e fui colocando a tralha de lado até formar uma trilha por onde pudesse caminhar. Coloquei minhas portas no lugar novamente (para quem não sabe eu moldei minha casa com 7 portas, cada uma para um uso específico). E fui organizando as coisas. Tudo o que era lixo e tudo o que era aproveitável. Tudo foi se encaixando atrás das portas e eu fui tomando espaço dentro da mente. De novo a casa foi ficando limpa e olha só: eu tenho até um tapete.
Minha mente está de novo em seu lugar. Tenho outras coisas para me concentrar mas ainda assim não vou perder mais o foco desse lugar, do meu lugar.
A bagunça dos pensamentos nos faz perder o rumo, caminhamos sem direção pois não temos a segurança de saber no que estamos pisando. Pode ser qualquer coisa, mas nós sabemos muito bem quando é o chão. A minha mente funciona como uma casa. Tenho por onde entram as coisas e por onde saem, o que deixo ficar e o que deixo ir embora. Elaborei um conceito simples de meditação e encontro comigo mesma. Decidi que ia ter um espaço físico nesse lamaçal que é o consciente. Coloquei um piso bonito de madeira enceirada, um sofá vermelho de dois lugares, uma mesa de centro, um tapete e uma estante com livros. Instalei sete portas com cores diferentes: a branca representa a entrada, a preta a saída (o lixo), a vermelha meus conhecimentos
, a laranja minhas vontades, a azul minhas necessidades, a verde meus sonhos e o roxo meus medos. Manter certas coisas organizadas dá muito trabalho, mas ajuda nas decisões da vida e também tenho um espaço legal para relaxar comigo mesma, pensar e me definir.
Quando eu cito minha casa em qualquer lugar, eu não estou citando o lugar aonde eu moro, estou citando meu consciente e tudo que nele habita. Pois não moro em nenhum lugar físico, não estou instalada em lugar algum e nada me prende ao solo. Posso morar em uma residencia hoje, mas não é meu, amanhã posso não estar mais aqui, nesse recinto. Minha mente é algo que de fato me pertence. É minha propriedade e não preciso de regulamentação ou escritura para nela habitar (ainda).
Me impressiona o quanto de gente se perde por não se conhecer, não ter ideia de si mesmo, sequer um espaço dentro da própria mente. Gente que tem controle sobre tudo e todos mas nunca sobre si próprio. É roubado pelo tempo, pelo trabalho, pela família.
Eu quase me perdi, quase saquearam minha casa. Felizmente me lembrei que ela está ali, não importa o que aconteça, sempre estará.